quinta-feira, 25 de abril de 2019

Reimaginando a Participação Social e Política

abril 25, 2019 0

As pessoas fazem diferença através de um clique? Com as ferramentas digitais ao nosso alcance, como pautar agendas de participação social e participação política? Provavelmente, nestes tempos de quarta Revolução Industrial, dúvidas a respeito disso não nos faltam. É certo que uma profunda mudança política está em curso: a era da democracia digital. Com isso, exemplos de inovação começam a aparecer em grande número.



As novas ferramentas digitais de participação, sejam elas apps, sites, civic techs, de uma maneira geral, têm buscando promover uma maior confiança, participação e transparência, contornando o aparente “divórcio” da sociedade civil com a política. De fato, a crise de confiança generalizada, em relação ao outro e às instituições, bem como a sensação de fragmentação pode servir como alavanca para reaproximar o cidadão da política.
O Brasil, em termos de cenário na América Latina, tem bons exemplos de inovação no tema. É o caso do Instituto Update - espaço de inteligência e tecnologia cujo trabalho visa fortalecer o ambiente de inovação política latino-americana -, e o laboratório existente na Câmara dos Deputados: o Lab Hacker que estimula a criação de ferramentas e ações capazes de ampliar a participação social no processo legislativo, fomentando a transparência e o controle social.
Mesmo assim, ainda existem muitas dúvidas sobre o impacto na realidade política e social de aplicativos de celular, plataformas na internet, e outras ferramentas – que tem como objetivo construir uma forma de democracia direta. Uma questão que se coloca com frequência é acesso limitado dos brasileiros a conexão rápida na internet. Segundo o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), apenas 51% dos domicílios tinham acesso à web até o ano de 2015, e essa conexão não é de qualidade.
Mesmo assim, Sara (sobrenome) destaca que “alguns dos aplicativos que existem hoje partiram de iniciativas do governo, em que o poder público chama os cidadãos para construir junto, o que gera uma menor tensão entre a política e a cidadania, e, consequentemente, gera uma maior potência para inovar o setor público. Na verdade, colocar o cidadão em primeiro lugar é inovar.”
Um bom exemplo dessa tentativa é o aplicativo Poder do Voto. Trata-se de uma iniciativa sem fins lucrativos, apartidária, cuja missão é engajar eleitores e seus representantes em um debate construtivo sobre as iniciativas de leis do Congresso Nacional, acompanhar e disponibilizar de forma privada a sintonia entre as decisões tomadas pelos políticos e a população na criação e votação de leis no país. No app o eleitor pode seguir o político que votou ou aquele de seu interesse, acompanhar as leis que estão em votação e conhecer a opinião de diferentes entidades, mandar  recados para deputados e senadores mostrando ser a favor ou contra um projeto de lei e, finalmente, verificar se o seu representante está votando de acordo com sua opinião.
Outra iniciativa bastante inovadora é o aplicativo Politize!, que tem como principal foco a educação política do eleitor. De forma clara, objetiva e, principalmente, com linguagem acessível, o app oferece vídeos, podcasts, e textos - tornando a formação política uma experiência significativa, criativa e divertida.
Visando a transparência e o controle social, o app Monitora Brasil é uma ferramenta que possibilita a qualquer pessoa pesquisar e monitorar o que deputados federais e senadores estão fazendo, verificar a assiduidade os projetos de leis e rankings. Os dados são extraídos de fontes oficiais e da Transparência Brasil.
Com foco no combate a corrupção, o plugin Vigie Aqui, uma ferramenta que destaca, em qualquer site, os nomes de políticos, que ocupam ou ocuparam  cargos eletivos, além de Ministros de Estado, com pendências na Justiça. Com apenas 3 cliques, o cidadão instala o plugin do Vigie Aqui em seu navegador e pronto. Basta navegar normalmente que, sempre que o nome de um político condenado, processado ou investigado aparecer, o Vigie Aqui grifa ele de roxo. Depois, é só passar o mouse por cima do nome para conferir a ficha judicial do político. Também é possível baixar o aplicativo no celular.
Outra iniciativa interessante é a da Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini, por meio da Universidade Livre Leonel Brizola, ambas vínculadas ao PDT (Partido Democrático Trabalhista) lançoui o app ULB  onde é possível fazer diversos cursos a distância, de forma prática e gratuita. O app possui videoaulas e cartilhas que podem ser acessadas onde e quando o usuário quiser e os cursos se enquadram na modalidade “cursos livres”, com conteúdos diversificados.
Dentre as modalidades oferecidas, além dos preparatórios para o Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM), a ferramenta disponibiliza opções que abordam os seguintes temas: Formação Política, Noções de Planejamento do Mandato, Planejamento e Gestão Estratégica, Noções Básicas de Marketing Político Eleitoral, Noções de Organização Municipal, Oratória, Ética e Política, Liderança no Setor Público, As Cinco Práticas Exemplares de Liderança, Políticas de Igualdade Racial e Núcleos de Base. A carga horária varia de acordo com o conteúdo aplicado, podendo alcançar 12 horas de aula. Para baixar o app, é só acessar a loja de aplicativos do seu celular.
Outras fundações partidárias, ONGs, e mesmo partidos políticos têm lançado aplicativos e portais com o intuito de integrar a política e o digital. Entretanto, ainda é cedo para saber até que ponto o digital pode revolucionar a política brasileira. Ainda não existem, por exemplos, mecanismos de real de participação política que usem o digital para estimular o debate e a participação social, como observado, por exemplo, em alguns países da Europa (Exemplos: Podemos, Partido Pirata etc). Para uma mais profunda integração entre a política e o digital seria necessário implementar mecanismos de decisão política realmente integrados aos meios de comunicação digitais. Só o tempo, e o futuro, dirão se estaremos a altura  do desafio e acompanharemos essa revolução mundial.




Augusto Menna Barreto

terça-feira, 23 de abril de 2019

Modelo inovador curitibano. Dos anos 70 até a área e vias calmas; sucesso e progresso. Mas, e agora?

abril 23, 2019 0
Muitos fatores históricos, como o planejamento urbano inovador e até mesmo o fechamento para carros da Avenida XV de Novembro em 1972, colaboraram para que hoje Curitiba possa e precise contar com suas duas "vias calmas", que são avenidas importantes da cidade, porém mais humanizadas, com faixas compartilhadas com bicicletas e velocidade máxima de 30 Km/h, e uma “Área Calma”, que abrange 140 quadras na área central do município, onde a velocidade máxima permitida é de 40 Km/h.

Inegável a influência positiva direta em nossa qualidade de vida advinda destes casos. Afinal, somos a capital com maior número de carros por pessoa do país, então ideias e políticas como estas precisam estar presentes hoje e também no futuro, pois, são anos e anos para que a formação de uma cultura aconteça, tendo como consequência maior visibilidade para a causa.



Você já deve ter ouvido falar que Curitiba é cidade modelo, título naturalmente polêmico. Fato é que capitais são pólos para educação, saúde e mercado de trabalho, e precisam encarar os problemas de serem metrópoles. Há o bônus e o ônus. E fato também é que aqui pensamos o urbanismo na hora certa. Ou seja, foi calculado e revisitado, de maneira técnica e criativa, prevendo o quão grande poderia ser o crescimento de determinadas áreas e quais seus usos e dimensões, o que propiciou atitudes paliativas e inovadoras que foram tomadas antes do agravamento dos problemas.

Uma destas alternativas foi trazer, por meio dos eixos estruturais, os serviços que inicialmente estavam apenas no centro, para áreas não centrais, que também contam com o sistema de transporte em grande escala (e que abrange praticamente toda cidade, os biarticulados). A própria administração e legislação municipal fizeram com que “o centro fosse esticado” por meio daquelas ruas que chamamos de “canaletas”. Afinal, são vias de uso exclusivo das linhas expressas, o chamado setor estrutural, que permite um crescimento ordenado, e também conta com uma malha, que são os eixos estruturais (apenas as quadras seguintes são residenciais). São eles os eixos norte, sul, leste, oeste e o eixo boqueirão - este responsável por ligar o centro de Curitiba ao município de São José de Pinhais, na região metropolitana.


São nos eixos estruturais que estão os edifícios de maior porte, que contam em suas bases com galerias com lojas e serviços, o que evita que as pessoas se desloquem até o centro. Além disso, estas avenidas fazem parte de um sistema trinário, com outras duas vias rápidas nas quadras paralelas, sendo uma em sentido bairro e a outra sentido centro. os eixos contam com vias exclusivas para ônibus e outras duas para carros e motos nos dois sentidos – e agora mais recentemente faixa compartilhada e preferencial para bicicleta em dois destes sistemas, as vias calmas.









Interessante observar quanto a altura máxima permitida dos prédios, para cada quadra seguinte. Legalmente, é necessário que os prédios sejam cada vez mais baixos, o que causa um efeito pirâmide.



Visando maior visibilidade ao ciclista e pedestre no trânsito, entre 2014 e 2016 foram inauguradas duas vias calmas em dois destes trinários e a Área Calma no centro. Anos depois, estamos começando a colher os frutos. As duas vias calmas estão na Avenida Sete de Setembro e na Avenida João Guarberto/Avenida Paraná. Esta foi inaugurada em 2016 e liga o bairro Santa Cândida ao Centro, com 14 Kms de extensão (se somarmos ida e volta). Já a da Avenida Sete de Setembro possui 6,3 Km de ida e volta, é uma das mais importantes de Curitiba - além de ser a primeira Via Calma do Brasil -, tangenciando o centro em sua porção sul e terminando na Praça do Japão, no Batel. Os estudos do IPPUC já nos mostram dados animadores em relação ao número de ciclistas: foram contabilizados 528 em 2013; 812 em 2014; 1.027 em 2015; e 1.226 bicicletas em 2016. Atualmente há necessidade de livrar a canaleta para o novo ligeirão ultrapassar os outros ônibus, já que ele não para nos tubos.






Já a Área Calma, um projeto da mesma gestão, forma praticamente um quadrado, bem no centro da cidade, entre as ruas Inácio Lustosa e André de Barros (norte-sul), tendo á oeste a rua Visconde de Nácar e à leste a Avenida Mariano Torres. A Área Calma ocupa algo próximo a 140 quadras, bem no “miolo” da cidade. Logo, são locais de altíssima movimentação de pessoas, além de possuir ruas antigas, cuja largura não é tão interessante para carros, tanto em trânsito como estacionados, já que as ruas são estreitas e com paralelepípedos.

A humanização é uma necessidade que vêm desde o início dos anos 70, e tem alterado, quer queira ou não, o cotidiano dos moradores e transeuntes do centro da cidade. Os moradores praticamente se obrigam a pedalar e/ou caminhar. O efeito dominó positivo na qualidade de vida acontece. 

Além das 21 praças e jardinetes do Passeio Público (primeiro parque no estado; já abrigou o zoológico), existem mais de dez pontos de concentração de linhas de ônibus na Área Calma e proximidades. É nesta área, por exemplo, que encontramos o terminal de ônibus metropolitano Guadalupe, a praça 19 de dezembro e redondezas, que também abrigam pontos de ônibus metropolitanos. Próximo também está o shopping Mueller, o Centro Histórico (Largo da Ordem, São Francisco e Alto São Francisco) - cuja característica é residencial e artístico-cultural, agregando muitas pessoas, bares e restaurantes, além de escritórios, devido sua ótima localização em relação ao centro. Seguindo pelo meio da Área Calma, passa-se pelas praças Carlos Gomes, Tiradentes (ambas com muitos pontos de ônibus e fluxo intenso de pessoas) e Zacarias, até a Avenida XV de Novembro - a charmosa rua das flores - em sua porção destinada exclusivamente ao trânsito de pedestres, que aliás foi o primeiro calçadão no estilo no Brasil, inspirando outras cidades posteriormente. A XV, como é conhecida, conta nesta porção com duas praças importantes, a General Osório e a Santos Andrade, onde fica o Teatro Guaíra, o prédio histórico da UFPR - a primeira universidade do Brasil. Estas praças todas contam muitos pontos de ônibus, o que propicia que as viagens se tornem menos complicadas (decorrente de um número menor de carros) e a segurança das pessoas aumenta ao transitar a pé. A Área Calma segue para sul até a famosa e formosa Praça Rui Barbosa, local com maior concentração de linhas de ônibus da cidade, em um número de 60. É um local com características de passagem, apesar de contar com a chamada “Rua da Cidadania Matriz”, e um forte comércio.

Com intenso o fluxo de pessoas nesta área, é necessário priorizá-las, reduzindo acidentes, tempo no trânsito, stress, gerando mais tempo para saúde e qualidade de vida. Usamos como exemplo de uma garrafa d’água sendo despejada num copo. Quando a garrafa é virada a 90° graus e a água corre em sua velocidade máxima e cai no copo, a água se “espatifa”: formam se grandes bolhas na garrafa e se derrama dentro e fora do copo - as colisões da água são os acidente. Porém, se viramos o copo lentamente, não há problema de atrito, sendo assim, no trânsito não acontecerão acidentes, pois há tempo para o carro frear ou para o pedestre perceber que está errado. Muitas vezes não é nem necessário buzinar.

Importante enfatizar que o o sistema viário de Curitiba não corta o centro, apenas o tangencia, ou seja, passa por todos os lados da Área Calma. Como consequência, a Área Calma conta com maior respeito entre pessoas, menor poluição sonora e do ar, grande sensação de tranqüilidade e cuidado com o próximo, além de velocidade compatível com o uso da bicicleta, com o transitar dos idosos e crianças, entre outros benefícios. Enfoque também para as empresas de aluguel e compartilhamento de bicicletas e patinetes, recém chegadas, fato que aumenta ainda mais o fluxo e requer mais atenção de todos. Vale destacar também a necessidade e complexidade da realização de educação no trânsito Afinal, em relação aos números de multas, já foram mais de cem mil apenas na Área Calma.

Nem todos encaram o trânsito da mesma maneira. Porém, perceba que um sorriso ou um pedido de desculpas pode melhorar seu dia ao volante. Relaxe! É importante saber que pontos de lentidão são comuns e que também existem outras rotas para chegarmos. Descubra sua cidade! Nós ainda estamos evoluindo. Lembro quando ouvia falar: “-Ah!, mas em Santa Catarina quando um pedestre coloca o pé na rua os carros param, “. Pois é, sabemos que em Curitiba não é bem assim, mas alguém mais concorda que o cenário está mudando pra melhor? Vejamos o exemplo das travessias elevadas (que estão nas vias calmas, próximas aos terminais, escolas e etc): já é super comum os carros pararem ao menor sinal de pedestre se aproximando. Naturalmente mais respeito aos ciclistas e pedestres acontecerá e assim por diante. Quais serão os próximos degraus a subirmos para colaborar ainda mais para um trânsito melhor? Fazer espontaneamente um dia da semana sem carro? Uber juntos? Caronas aos colegas? Uma dica que gosto muito, seja para qual for o meio de transporte, é evitar o horário de pico, para ter menos stress em seu trajeto. Se possível, aproveite para ir numa exposição, ao teatro, fazer cursos ou ver aquela(s) pessoinha(s) bacana(s) antes de ir pra casa. Você vai perceber os benefícios sociais, de saúde e ambientais disso tudo. É um ciclo da qualidade de vida. Afinal, no trânsito somos todos iguais, somos todos pedestres.


Por Wainer Luiz Louza Borges

sábado, 13 de abril de 2019

Bolsa de valores para os ricos?

abril 13, 2019 0
Sempre tive a impressão que tudo relacionado à Bolsa de Valores fosse algo exclusivo para pessoas com muito dinheiro. Achava que aquela linguagem instigante dos indicadores, dos gráficos em velas e das linhas projetadas com estimativas de altas e baixas, eram somente entendíveis por pessoas super capacitadas e com intelecto acima do normal. Mas nos últimos meses me deparei com uma possibilidade interessante.


Buscando uma reflexão sobre o tema, tendo a concordar com Max Gunther, em seu livro Axiomas de Zurique*, quando ele defende que a estrutura econômica mundial está voltada contra o cidadão comum, ou seja o trabalhador assalariado de classe média. O autor é enfático em sua reflexão quando questiona: “onde está a esperança de ficar rico?”



Neste sentido o autor discorre sobre os pontos que afetam a todos e que atingem diretamente os ganhos do trabalhador. Entre eles, os ônus cada vez mais pesados, com destaque ao imposto de renda, a ação corrosiva da inflação, os salários oferecidos pelo mercado com incapacidade de oferecer a liberdade financeira desejável. Nas palavras do autor, a classe média assalariada está fadada a, com sorte, “passar a vida sem ter que mendigar um prato de comida”.

Como alternativa a este destino certo, o autor sugere que não deveríamos somente buscar um bom trabalho e um bom salário. Mas sim, em um esforço paralelo, aprender desde muito cedo a lidar com o mercado financeiro, em todas as suas nuances. Ele até sugere indiretamente que esta matéria deveria constar no currículo dos alunos, em sua crítica ao sistema de educação atual.

É evidente que o mercado financeiro e as especulações típicas deste ramo possuem um alto risco e isso deve ser medido. Deve-se ter em mente que uma vez aplicado os seus recursos ou uma parte deles em  ativos de renda variável, você corre grande risco de piorar, ao invés de melhorar o seu cenário financeiro. ESTE PONTO DEVE FICAR BEM CLARO!

Mas sendo um assalariado, perseguido pelos impostos, arrasado pela inflação, carregando boa parte do mundo sobre seus próprios ombros, a sua situação financeira provavelmente já está com problemas. Então qual a diferença de ficar, no máximo, um pouco mais pobre, na tentativa de trazer uma melhoria real das suas finanças?

Sem entrar nos detalhes e somente para arranhar a superfície (talvez nem isso), vamos fazer uma rápida conceitualização. Como sabido a bolsa de valores é um ambiente onde negociadores podem comprar ou vender títulos emitidos por empresas, sejam elas, com capital público, misto ou privado. Gosto de uma ilustração que li no site do BTG Pactual onde definem: “Imagine uma feira, onde produtores expõem os seus produtos para a clientela comprar”: a bolsa de valores tem função parecida. Se você decide vender uma ação e outra pessoa tem o interesse de comprar, ali será o espaço para que essa negociação aconteça. Assim, imaginem, diferentes barraquinhas vendendo papéis das nossas empresas como, Petrobrás, Vale do Rio Doce, Ambev, a diferentes preços e diferentes lotes. Conforme a alteração da demanda, e consequentemente, do volume das compras e vendas os preços se alteram.

Outro ponto importante para conceitualizar é a ação. No site da Bovespa lê-se o seguinte: “Ações são valores mobiliários (papéis) emitidos por sociedades anônimas com representativos do seu capital. Em outras palavras, são títulos de propriedade que conferem a seus investidores a participação na sociedade da empresa”. Incrível como a segunda parte da citação consegue clarear o entendimento.  Então, se eu tenho uma ação ou um lote de ações de determinada empresa, tenho o direito de receber uma parte dos lucros dela.

Existem uma infinidade de conceitos e de produtos envolvendo a bolsa de valores para serem abordados, mas o ponto que quero destacar é a possibilidade de, com um baixo recurso, um computador e uma internet já é possível ter acesso a conteúdo para estudo deste mundo desconhecido para a maioria dos brasileiros.

Neste sentido, o minicontrato futuro é uma boa possibilidade. Foi desenvolvido pela BM&F Bovespa em 2001 justamente com o objetivo de abrir espaço para o pequeno investidor. Normalmente os analistas sugerem um valor maior, mas com R$ 500,00 (quinhentos reais) disponível na corretora como garantia já é possível executar as primeiras operações no mini- índice, código WIN. Existem vários ativos de contratos futuros na Bovespa (conversa para outro texto), mas vamos focar no mini-índice WIN, que é o mais popular e o mais acessível.

Na tabela de características técnicas do mini-índice, acessível no site da BM&F Bovespa, podemos observar que considerando o lote de apenas um contrato, cada ponto equivalerá ao valor de R$ 0,20 centavos. Em outras palavras, uma vez executada a sua ordem de compra ou venda com um minicontrato de índice, cada ponto que essa ordem caminhar você estará ganhando ou perdendo vinte centavos. Caso essa operação se encerre com 100 (cem) pontos, ela terá executado um lucro ou um prejuízo de R$ 20,00 reais.

Abaixo é possível visualizar três operações executadas na minha conta real, operando com um contrato de mini-índice neste dia 03 de abril. E reparem, nesta imagem é possível observar 3 operações:


  1. Operação de venda a 96.245 pontos, que encerrou com uma compra 96.345 pontos, resultando uma perda de 100 pontos, ou seja R$ 20,00 reais.
  2. Operação de venda a 96.365 pontos, que encerrou com uma compra a 96.265 pontos, resultando um ganho de 100 pontos, ou seja R$ 20,00 reais.
  3. Operação de compra a 96.220 pontos, que encerro com uma venda a 96.240 pontos, resultando um ganho de 20 pontos, ou seja R$ 4,00 reais.

Outro ponto que favorece a participação de investidores na Bovespa é o avanço da tecnologia. Quem lembra daquela cena clássica da bolsa de valores? Aquele monte de pessoas gritando, com dois ou até mais telefones na orelha, fazendo operações de compra e venda. Então, graças ao avanço tecnológico, especialmente da internet, essa cena não é mais realidade. Um artigo da corretora Toro Radar, publicado no portal ADVFN News e denominado “Investir na Bolsa de Valores ficou mais simples com a tecnologia”,  ilustra bem esse cenário.

Dentre os avanços destaca-se o processo de abertura de uma conta numa corretora de valores, que é a principal ponte entre a bolsa e o investidor. Nos dias de hoje a abertura da conta pode ser feita em algumas horas. Desde que a documentação atenda aos requisitos mínimos e o primeiro depósito seja efetuado, o investidor já pode ter acesso ao vasto mundo da BM&F Bovespa.

A diversidade de plataformas home broker que existem no mercado para atender necessidades específicas do investidor, aliadas a velocidade da internet, podem ser consideradas uma verdadeira revolução no acesso à bolsa de valores. A plataforma home broker dá a possibilidade de qualquer investidor executar operações de compra e de venda em tempo real, através de um computador ou até mesmo de um smartphone conectado à internet, garantindo agilidade, autonomia, facilidade, acessibilidade e baixo custo.

Outra característica muito interessante destas plataformas é a possibilidade de conectar o investidor ao ambiente de negócios da Bovespa por uma conta simulada. Isto é facilmente configurável via corretora. Essa possibilidade garante que o usuário estude e teste com dados reais suas estratégias, sem haver ganhos e principalmente perdas. Desta forma o investidor inexperiente pode treinar à exaustão e consolidar sua confiança antes de operar no mercado real.

Por fim o aumento importante de profissionais de dedicação exclusiva à bolsa de valores e por consequência o aumento de conteúdo sobre o mercado financeiro, favorece a busca de informações relativas a este universo. Alguns destes profissionais abrem salas virtuais no YouTube para dar dicas em tempo real sobre possíveis operações, além de promover palestras virtuais facilmente acessíveis via Internet. Além da vastidão de cursos gratuitos e pagos específicos sobre vários temas. Conforme o investidor vai evoluindo no seu entendimento do mercado financeiro, abrem-se diversas possibilidades diferentes.

Através deste texto tentei demonstrar que é possível, com modestos recursos, dar os primeiros passos no universo do mercado financeiro, fazendo um contraponto ao preconceito que este tema é uma exclusividade de pessoas ricas. É claro que uma vez disposto a isso, é preciso ter em mente que o aprendizado é longo e que exigirá uma série de testes. Eu ainda estou neste processo, e, se serei bem-sucedido ou não, somente o tempo e a minha dedicação serão capazes de determinar.

*GUNTHER, Max. Os Axiomas de Zurique.

Por Marcus Feltrin

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Trabalho Humano X Inteligência Artificial - 1/4

abril 04, 2019 0
Você provavelmente já leu alguma matéria ou assistiu a algum vídeo apontando para esse fato novo: a Quarta Revolução Industrial.  Essa  revolução mudará o mundo como o conhecemos. Essa ideia é muito radical para você? É que, se cumpridas as previsões dos mais diferentes estudiosos sobre o tema, assim será. E já está acontecendo: a toda velocidade, vinte e quatro horas por dia. Pois a ela damos todas as informações sobre nossas escolhas e preferências, inclusive nossa posição no mundo GPS (Global Position System), através de um simples SmartPhone. 
Estamos entrando numa nova era tecnológica que mudará drasticamente a vida como conhecemos e também as percepções que teremos de futuro.

O cerne dessa questão é identificarmos a diferença entre Inteligência Artificial (IA) X Robótica e Automação. Os dois últimos inevitavelmente necessitam de mão humana para suas pré e pós-execuções - seja de criação ou assistências em robôs, softwareshardwares e etc. Já a IA, a partir do inicialização (start) não necessita mais de forças externas para aprendizado ou resoluções que a façam não resolver seus possíveis problemas. Não se esqueça que a matemática é uma ciência exata. Você deve se lembrar que em 2017 o Facebook lançou um chatbot*, treinado por humanos em respostas automáticas. A princípio ele funcionava muito bem, até que a empresa resolveu colocar dois chatbots para conversarem sobre resolução de problemas e darem respostas automáticas. Então, o que aconteceu ? Os dois chatbots, simplesmente em conversa e aprendizado começaram a falar entre si com uma linguagem que a humanidade simplesmente desconhece. Sim, uma linguagem de máquinas e só para máquinas. O Facebook cancelou o estudo e retirou imediatamente esse projeto de sua prancheta. Ora, se um simples chatbot pode desenvolver linguagem própria imaginemos qual será a consequência disso em larga escala.

Essa larga escala já existe e está difundida em todo o mundo: chama-se IOT (Internet das Coisas). A Internet das coisas é um conceito que se refere à interconexão digital de objetos cotidianos com a internet. É a conexão dos objetos, mais do que das pessoas, à internet. Em outras palavras, a internet das coisas nada mais é que uma rede de objetos físicos capaz de coletar e transmitir dados, como sua geladeira, smarTV, máquina de lavar e etc. Pessoas importantes envolvidas neste segmento tecnológico e de transformação já têm alertado sobre os perigos da Inteligência Artificial. Elon Musk CEO da Tesla, diz que “ a IA é muito mais perigosa que as bombas nucleares”. Outra crítica assustadora partiu do chinês Kai-Fu Lee, mega investidor e especialista em IA, que afirmou categoricamente que “em 15 anos 40% dos empregos no mundo poderão ser realizados por máquinas. Não apenas o trabalho braçal mas o intelectual também”.



Uma pesquisa feita pela UNB ( LAMFO) aponta que  54% dos empregos formais no Brasil estão ameaçados por máquinas. Esta pesquisa indica que 30 milhões de postos de trabalho podem ser substituídos por máquinas e softwares até 2026. O trabalho de pesquisa foi feito com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), antigo Ministério do Trabalho, e na classificação O*NET Job Zone, que separa as funções ocupacionais em cinco grupos, conforme o grau de preparo necessário.
Em comparação a outros estudos publicados no exterior com metodologia semelhante, o Brasil tem mais empregos ameaçados de extinção do que os Estados Unidos (47%), porém menos que Europa (59%) e países como Uruguai (63%), Argentina (65%) e Guatemala, que tem o maior índice (75% dos empregos poderão ser exercidos por máquinas).

Como se dará isso? E as leis de Trabalho/Produção que regem a sociedade como um todo no planeta? Como nós humanos poderemos nos adequar a capacidade de uma máquina nas execuções de suas tarefas? Lutando contra ou caminhando junto?  Qual a relação do nosso dia a dia com os códigos criptográficos, Machine Learning  e  TensorFlow.
Falaremos sobre isso nos próximos artigos.

Por Fábio Machado

*Chatbot (ou chatterbot) é um programa de computador que tenta simular um ser humano na conversação com as pessoas. O objetivo é responder as perguntas de tal forma que as pessoas tenham a impressão de estar conversando com outra pessoa e não com um programa de computador.

terça-feira, 2 de abril de 2019

Vamos à luta!

abril 02, 2019 0
É importante sonhar. Ter uma força motriz que objetive um futuro melhor e que
se compreenda no âmago de nosso ser, para sempre ali permanecer. E certos
sonhos apenas precisam ser revividos. Uma ideia clássica já amplamente defendida por grandes figuras através dos tempos adaptada aos dias modernos.
            E nós, nacionais desenvolvimentistas, revivemos o sonho de um verdadeiro Brasil Nação; forte, desenvolvido, justo, moderno, solidário e democrático: a potência do Sul. Sonhado por ícones como Leonel Brizola, Getúlio Vargas, João Goulart e Darcy Ribeiro.
O Brasil deste sonho não se parece muito com o Brasil que vivemos. A insatisfação do povo se faz notar. As injustiças e disparidades socioeconômicas estão escancaradas. O modelo tributário é desfavorável aos que possuem menos e mais dócil aos que tem maiores posses. O sistema financeiro nacional é predatório e cartelizado em cinco grandes bancos, que convencionam entre si taxas e valores padrões para lucrar em cima do drama de nosso povo e assim assegurar seu oligopólio.
            Ainda, para melhor compreender o problema brasileiro, é preciso lembrar dos 14 milhões de nossos irmãos e irmãs desempregados e dos mais de 60 milhões de pessoas com o nome sujo no Serviço de Proteção ao Crédito. Estes dados se tornam ainda mais ultrajantes quando percebemos que o modelo estrutural do país foi montado justamente para privilegiar as elites dominantes e para promover uma criminosa concentração de renda, onde cinco hiper-ricos têm renda equivalente a 100 milhões de nacionais brasileiros.
            Como se isto não bastasse, agora nos deparamos com um agravante. Não é só com a mesquinhez das elites dominantes “nacionais” que devemos nos preocupar. O governo de Jair Bolsonaro, sob o manto de um novo conceito nas relações exteriores, escancara o país aos interesses estrangeiros em detrimento dos interesses do povo que o elegeu. Diante deste quadro, não nos cabe outra alternativa a não ser denunciar as agressões à soberania nacional da República Federativa do Brasil através de medidas do atual governo, bem como o rompimento de tradições centenárias de nossa pátria em virtude do afago a uma nação estrangeira.



            Pois bem, comecemos por um dos assuntos mais delicados. Há muito não havia tanta tensão na América do Sul. A situação na vizinha Venezuela é extremamente complexa e, aparentemente, envolve em grande dimensão interesses internacionais difusos e antagônicos, tornando o drama de nossos irmãos venezuelanos moeda de troca no tabuleiro global. Com isto, não se quer defender o governo daquele país, pois as condições de um povo são de responsabilidade de seus governantes. Contudo, não se pode ser ingênuo ao tratar de um tema tão sensível com simplificações grosseiras e abordagens tendenciosas, tendo em vista o potencial de riqueza natural e mineral de nossos vizinhos.
            O Brasil, como maior nação do continente e por respeito à sua tradição, deve tomar para si o protagonismo da mediação deste impasse e não buscar atuar como parte interessada. Neste momento, o governo Bolsonaro age escancaradamente como opositor ao governo constitucional venezuelano e provoca ainda mais instabilidade na região, demonstrando um vergonhoso alinhamento automático e deplorável subserviência à agenda de Washington. É inadmissível a hipótese, por menor que seja, de uma guerra na fronteira e os esforços pela manutenção da paz devem ser multiplicados. Caso a postura ativa do governo brasileiro sobreponha-se à altiva, existe um profundo risco de perda de credibilidade e confiança na relação com nossos irmãos sul americanos.   
Ademais, o Brasil não possui estritamente nenhum interesse numa eventual guerra fronteiriça, pelo contrário, só temos a perder com o envolvimento em um cenário como este. Aliás, vale lembrar que nossa relação comercial com a Venezuela é superavitária. 
            Diante disto, clama-se que o Brasil amenize as tratativas e promova o diálogo entre situação e oposição daquele país, sem tomar lados, bem como fiscalize e denuncie qualquer tentativa de ingerência estrangeira nos assuntos domésticos da Venezuela, respeitando, assim, o direito de autodeterminação de seu povo.
            Em tempo, gostaríamos de demandar para o conjunto da sociedade brasileira, de maneira clara e abrangente, todas as informações e pormenores que permeiam o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas entre o Brasil e os Estados Unidos da América, envolvendo a Base de Alcântara no Maranhão, oficialmente anunciado pelo presidente brasileiro em encontro com o presidente estadunidense, afim de garantir que, conforme pronunciamento do Ministro Marcos Pontes, o texto do acordo não fira a soberania nacional.
Doravante, entende-se ser inescapável tratar sobre dois fatos que atentam diretamente contra a tão zelada soberania nacional, são eles: 1) o anúncio feito pelo Almirante estadunidense Craig Faller na Comissão de Forças Armadas do Senado daquele país, de que até o final deste ano um general brasileiro será o vice-comandante de interoperabilidade do Comando Sul das Forças Armadas estadunidenses; e 2) o lamentável negócio firmado entre a Embraer e a Boeing, que, na prática, declara a extinção do potencial tecnológico defensivo da empresa nacional.
            O primeiro fato é um verdadeiro absurdo! Caso tal informação venha a se confirmar, será inédita e inaceitável a oficial subordinação de nosso país a uma potência estrangeira, principalmente em um momento de tamanha tensão mundo afora - especialmente em nossa região. Um governo que valorize a soberania de sua nação jamais aceitaria o sórdido papel de nomear um militar de alta patente para liderar e ser liderado por forças de um outro país. Ainda mais quando uma decisão como esta desrespeita os mecanismos republicanos e, nem ao menos informa, tampouco consulta, a opinião de seu parlamento. Inclusive, a notícia foi veiculada no Brasil apenas após tornar-se pública nos Estados Unidos. Isto é motivo de vergonha para todo brasileiro e brasileira que preze a autonomia e soberania de seu país. Lamentamos profundamente este episódio e apelamos ao governo brasileiro para que abandone esta sandice, volte atrás e não permita a subordinação de nosso país aos Estados Unidos ou a qualquer outra nação estrangeira.
            O segundo fato é um dos maiores constrangimentos já consumados pelo governo Bolsonaro até aqui. Graças a um governo que tem o patriotismo como fundamento essencial de sua retórica, mas fundamento descartável no seu modus operandi, entregamos a Embraer - que é líder mundial na construção de aeronaves de médio porte - para a sua concorrente, a norte americana Boeing. A Embraer nos garante ser um dos 08 (oito) países do planeta que detém a tecnologia da produção de aviões e é uma das joias industriais brasileiras com uma gama de aviões civis, militares, jatos executivos, 16 mil funcionários e um volume de negócios de 06 (seis) bilhões de dólares. A fusão com a Boeing prevê que a estadunidense assuma o controle das atividades civis da brasileira por um valor de 4.2 bilhões de dólares, o que lhe renderá controle de 80% do capital do novo grupo, enquanto a empresa nacional fica apenas com 20% do negócio. Assim, podemos constatar que a operação beneficia tão somente a gigante norte americana. Trata-se de uma afronta à soberania nacional tendo em vista que a operação apenas prejudica a empresa brasileira, a qual compreende-se dentro de um setor absolutamente estratégico para o país, o setor de produção de aeronaves, que também envolve defesa e desenvolvimento tecnológico, ou seja, setor vital para uma nação do século XXI. Com o negócio já consumado, nos resta apenas lamentar e denunciar o entreguismo.
            Movimentos estranhos acontecem no Brasil. Observamos incrédulos às medidas do novo governo, que dotados de amadorismo, de uma aparência insegura, de confusão e pouca clareza, na prática, nos parecem atacar o conceito de Brasil nação. Com isso, queremos dizer que muitas das ações do novo governo têm vindo para prejudicar os próprios brasileiros. Para além de tudo que já foi enumerado neste documento, podemos lembrar também da perda de preferência comercial agrícola com os chineses por puro e simples besteirol ideológico, os quais agora compram a soja estadunidense, acabando por prejudicar os produtores rurais brasileiros; ou lembrar também das confusões com o mundo árabe – maior comprador de carnes de nossos pecuaristas -, mais uma vez por besteirol ideológico, graças ao alinhamento automático com a política de Washington, aventando a mudança da embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém; ou também do fim da taxa antidumping sobre a importação de leite para o Brasil, que mesmo com o aumento no imposto de importação subsequente, deixa os pequenos produtores brasileiros desprotegidos.
            A ida do presidente brasileiro aos Estados Unidos para encontro com Donald Trump foi um fracasso para o nosso país e expôs ainda mais a submissão de nosso governo ao “Tio Sam”. Bolsonaro se vangloria em afirmar que nosso país nunca teve uma relação tão boa com os E.U.A..  Todavia, nos cabe verificar se tal proximidade é profícua para ambos. O Brasil possui o interesse de ingressar para a OCDE – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico – , contudo, para obter apoio dos estadunidenses para tal ingresso, estes exigem que abandonemos a condição de “país em desenvolvimento” na OMC – Organização Mundial do Comércio. Mas o questionável é que outros países como China e Índia, por exemplo, estão nas duas organizações e não tiveram que abrir mão do Tratamento Especial para Países em Desenvolvimento na OMC.
            Outro fato ocorrido nesta viagem, foi o anúncio de que turistas dos Estados Unidos, Japão, Austrália e Canadá não necessitarão mais de visto para ingressar em território nacional. Bom seria se a medida fosse bilateral e os brasileiros também ficassem dispensados da necessidade de obter visto para estes países, no entanto, não é o que se passou. A medida foi unilateral e não auxilia em nada os brasileiros. Foi apenas mais um aceno de “boa vontade” de Bolsonaro. Diante das duas medidas em tela, indaga-se: afinal, a relação com os Estados Unidos é de proximidade ou de vergonhosa submissão?
            E, por fim, o curioso é que estes ataques à ideia de Brasil nação  acontecem justamente em um governo forrado de militares da reserva, os quais – em tese – deveriam ser nacionalistas e jamais aceitariam ser subservientes a uma potência estrangeira. O que gerou esta conveniência de valores, pessoas e  ideologias distintas ainda é obscuro. 
            Todavia, já fica claro o despreparo inerente ao governo e que quem perde com isso é o próprio Brasil e seu povo. 
Brasileiras e brasileiros: o tempo não é só para revivermos sonhos, o tempo é de agirmos. Que ajamos juntos pelo Brasil, do contrário, não sobrará nada para chamarmos de nacional. Abaixo o vira-latismo e a subserviência.  Viva o Brasil soberano!

Vamos à luta!

Por João Eduardo Ramos Moreira

segunda-feira, 25 de março de 2019

O que sustenta a atual política de corte de gastos?

março 25, 2019 0
O arcabouço teórico que embasa as prescrições de política econômica do governo Bolsonaro, tais como a reforma da Previdência e outras tantas de corte de gastos, está em crise. A grosso modo, este arcabouço propõe que os gastos do governo possuem efeitos colaterais na economia. Deslocam recursos de investimento da atividade privada (efeito crowding out) e que o déficit fiscal é um vilão, no sentido que pode levar o Estado a insolvência. Os economistas que adotam este pensamento passam ao público em geral a ideia de que o orçamento do Estado funciona como o orçamento familiar. Ou seja, se uma família gasta seguidamente mais do que recebe, em algum momento terá dificuldades em honrar seus pagamentos e manter seu padrão de vida. Logo, esta lógica também se aplica ao Estado.





É de certa forma consenso entre os economistas que os gastos públicos desempenham papel importante na economia. Restava saber se o Estado possuí restrições financeiras e se de fato o gasto provoca os efeitos colaterais mencionados acima. Algumas das pesquisas mais recentes em economia sugerem que não. A diferença fundamental, para esta linha, reside no fato de que o Estado paga suas dívidas na moeda em que emite. A família não. “Mas moeda causa inflação!” brada o leitor furioso, já quase desistindo do texto. Poderíamos entrar nas minúcias da lógica que sustenta que tal entendimento é falso, mas, o texto ficaria demasiadamente extenso. Por ora, transcreve-se a frase do economista e um dos arquitetos do Plano Real, André Lara Resende, publicado recentemente em um artigo seu no jornal Valor Econômico: “Ao contrário do que se acreditou por muito tempo, a moeda não provoca inflação”.

Portanto, se de fato moeda não causa inflação e o Estado não possui restrição financeira na moeda em que emite o que sustenta as políticas de corte de gastos? A resposta é um grande NADA. Superadas estas celeumas seria possível voltar a atenção, não para o tamanho dos gastos, mas, para sua alocação. Entretanto, o que ainda é prática na proposição de política econômica no Brasil é: “enxugar a máquina”.

Os gastos auxiliam na sustentação do nível de emprego e o crescimento da atividade econômica. Se o Estado não gasta, a empresa, que seria contratada, por exemplo, para o fornecimento de algum serviço, não recebe. Não recebendo, não contrata, e os possíveis empregos que poderiam ser gerados, não o são. Este encadeamento se sucede por todos ou a maioria dos ramos de atividade, na medida em que, o volume e extensão dos gastos públicos perpassam por toda a economia. Neste sentido, reduzir os gastos públicos é o mesmo que reduzir a renda privada (famílias e empresas). Com a renda reduzida, famílias e empresas não mais podem fazer frente às dividas contratadas no passado. Seja a compra de uma casa nova por uma família ou até mesmo o financiamento de uma máquina realizado por uma empresa. Muito menos planejar compras futuras. O endividamento privado trava o sistema. A crise está instaurada.
Para contornar essa situação os gastos públicos devem caminhar na contramão dos ciclos da atividade econômica. Nos momentos de alta, o Estado deve controlar os gastos para que a demanda agregada não pressione a capacidade de oferta total da economia. Nos momentos de baixa, o Estado deve gastar como forma de manter a renda dos agentes privados. Políticas de renegociação de dívidas de empresas e famílias também devem ser feitas como forma de prevenir que o aumento do endividamento agregado trave o ciclo de compra e venda.
Dado o exposto acima é possível dizer que em momentos de capacidade ociosa de produção, implementar políticas de corte de gastos potencializam e agravam a crise e dificultam a retomada do crescimento. Tais políticas começaram no governo Dilma, ampliaram-se no governo Temer e no governo Bolsonaro se tornaram raisons d'être, encarnado na figura de Paulo Guedes no Ministério da Economia. Assim, a economia brasileira segue, aos trancos e barrancos em coma na UTI. Por vezes se vê algum movimento, mas nada que desperte muito ânimo.

Por Kelvin H.V. Pedroso

Conselhos Municipais podem ser um antídoto contra a sensação de impotência do cidadão

março 25, 2019 0
Um dos fatores importantes para desenvolvimento de uma sociedade é o nível de influência da população nas políticas públicas. A participação social é imprescindível para o exercício da cidadania e ajuda a combater o desânimo da população com a política. Ao integrar um Conselho Municipal de Políticas Públicas, o cidadão percebe que pode influenciar decisões e ações em áreas essenciais para a sociedade, como a saúde, a educação e a assistência social.



Para Mariana Calencio, coordenadora de programas da ONG Agenda Pública, o sistema político-eleitoral brasileiro pode ser criticamente chamado de “democracia de um dia só”. Essa expressão traduz a sensação de impotência de muitos cidadãos. “Quantos de nós exercemos o direito democrático apenas com o voto, em apenas um dia?” Para ela, é também dentro dos conselhos em que a população pode exercer verdadeiramente sua cidadania, ajudando a transformar a vida que se leva no lugar em que se vive.


“Quando isso acontece, a cidade se torna mais do que um território de vivência e produção – vira também um espaço de participação política ativa”, afirma. Em Serra do Salitre (MG), essa ONG mantém um projeto que promove não apenas o aprimoramento da gestão pública local como também qualificação da participação da sociedade em assuntos públicos, para uma atuação estruturante e duradoura.

É nesse município que vive Altair Gonçalves dos Anjos, de 52 anos. Ele é comerciante, presidente do Conselho Municipal de Saúde, integrante de uma associação de bairro e, como se vê, um entusiasta da participação popular. Para ele, o conselho é essencial para que a população elabore, cobre e fiscalize projetos importantes. Altair cita campanhas bem sucedidas de prevenção de doenças epidemiológicas como dengue e chikungunya como um exemplo emblemático das conquistas do conselho de Serra do Salitre. O comerciante também destaca a nova UTI instalada na cidade e renovação da frota de ambulâncias.

É importante lembrar que os conselhos citados pela Constituição – especificamente, educação, saúde e assistência social – são deliberativos, pois neles pode haver, de fato, debate e tomada de decisão. Nesses canais de participação, a sociedade civil é capaz de intervir na implementação de políticas públicas, questionar seu funcionamento e propor alterações e melhorias.

Já nos conselhos municipais de outras áreas, como de Direitos da Mulher, da Juventude, do Meio Ambiente, de Direitos LGBT, entre outros, a função pode ser consultiva e depende da determinação da lei orgânica de cada município. De todo modo, nos dois tipos de conselho, os representantes oficiais incluem diferentes categorias (por exemplo: professores, pais de alunos e gestores públicos), têm um número fixo e mudam periodicamente.

Também nos dois formatos, as reuniões são sempre abertas à população. Por princípio, todos podem participar.


Por Augusto Menna Barreto