sábado, 13 de abril de 2019

Bolsa de valores para os ricos?

Sempre tive a impressão que tudo relacionado à Bolsa de Valores fosse algo exclusivo para pessoas com muito dinheiro. Achava que aquela linguagem instigante dos indicadores, dos gráficos em velas e das linhas projetadas com estimativas de altas e baixas, eram somente entendíveis por pessoas super capacitadas e com intelecto acima do normal. Mas nos últimos meses me deparei com uma possibilidade interessante.


Buscando uma reflexão sobre o tema, tendo a concordar com Max Gunther, em seu livro Axiomas de Zurique*, quando ele defende que a estrutura econômica mundial está voltada contra o cidadão comum, ou seja o trabalhador assalariado de classe média. O autor é enfático em sua reflexão quando questiona: “onde está a esperança de ficar rico?”



Neste sentido o autor discorre sobre os pontos que afetam a todos e que atingem diretamente os ganhos do trabalhador. Entre eles, os ônus cada vez mais pesados, com destaque ao imposto de renda, a ação corrosiva da inflação, os salários oferecidos pelo mercado com incapacidade de oferecer a liberdade financeira desejável. Nas palavras do autor, a classe média assalariada está fadada a, com sorte, “passar a vida sem ter que mendigar um prato de comida”.

Como alternativa a este destino certo, o autor sugere que não deveríamos somente buscar um bom trabalho e um bom salário. Mas sim, em um esforço paralelo, aprender desde muito cedo a lidar com o mercado financeiro, em todas as suas nuances. Ele até sugere indiretamente que esta matéria deveria constar no currículo dos alunos, em sua crítica ao sistema de educação atual.

É evidente que o mercado financeiro e as especulações típicas deste ramo possuem um alto risco e isso deve ser medido. Deve-se ter em mente que uma vez aplicado os seus recursos ou uma parte deles em  ativos de renda variável, você corre grande risco de piorar, ao invés de melhorar o seu cenário financeiro. ESTE PONTO DEVE FICAR BEM CLARO!

Mas sendo um assalariado, perseguido pelos impostos, arrasado pela inflação, carregando boa parte do mundo sobre seus próprios ombros, a sua situação financeira provavelmente já está com problemas. Então qual a diferença de ficar, no máximo, um pouco mais pobre, na tentativa de trazer uma melhoria real das suas finanças?

Sem entrar nos detalhes e somente para arranhar a superfície (talvez nem isso), vamos fazer uma rápida conceitualização. Como sabido a bolsa de valores é um ambiente onde negociadores podem comprar ou vender títulos emitidos por empresas, sejam elas, com capital público, misto ou privado. Gosto de uma ilustração que li no site do BTG Pactual onde definem: “Imagine uma feira, onde produtores expõem os seus produtos para a clientela comprar”: a bolsa de valores tem função parecida. Se você decide vender uma ação e outra pessoa tem o interesse de comprar, ali será o espaço para que essa negociação aconteça. Assim, imaginem, diferentes barraquinhas vendendo papéis das nossas empresas como, Petrobrás, Vale do Rio Doce, Ambev, a diferentes preços e diferentes lotes. Conforme a alteração da demanda, e consequentemente, do volume das compras e vendas os preços se alteram.

Outro ponto importante para conceitualizar é a ação. No site da Bovespa lê-se o seguinte: “Ações são valores mobiliários (papéis) emitidos por sociedades anônimas com representativos do seu capital. Em outras palavras, são títulos de propriedade que conferem a seus investidores a participação na sociedade da empresa”. Incrível como a segunda parte da citação consegue clarear o entendimento.  Então, se eu tenho uma ação ou um lote de ações de determinada empresa, tenho o direito de receber uma parte dos lucros dela.

Existem uma infinidade de conceitos e de produtos envolvendo a bolsa de valores para serem abordados, mas o ponto que quero destacar é a possibilidade de, com um baixo recurso, um computador e uma internet já é possível ter acesso a conteúdo para estudo deste mundo desconhecido para a maioria dos brasileiros.

Neste sentido, o minicontrato futuro é uma boa possibilidade. Foi desenvolvido pela BM&F Bovespa em 2001 justamente com o objetivo de abrir espaço para o pequeno investidor. Normalmente os analistas sugerem um valor maior, mas com R$ 500,00 (quinhentos reais) disponível na corretora como garantia já é possível executar as primeiras operações no mini- índice, código WIN. Existem vários ativos de contratos futuros na Bovespa (conversa para outro texto), mas vamos focar no mini-índice WIN, que é o mais popular e o mais acessível.

Na tabela de características técnicas do mini-índice, acessível no site da BM&F Bovespa, podemos observar que considerando o lote de apenas um contrato, cada ponto equivalerá ao valor de R$ 0,20 centavos. Em outras palavras, uma vez executada a sua ordem de compra ou venda com um minicontrato de índice, cada ponto que essa ordem caminhar você estará ganhando ou perdendo vinte centavos. Caso essa operação se encerre com 100 (cem) pontos, ela terá executado um lucro ou um prejuízo de R$ 20,00 reais.

Abaixo é possível visualizar três operações executadas na minha conta real, operando com um contrato de mini-índice neste dia 03 de abril. E reparem, nesta imagem é possível observar 3 operações:


  1. Operação de venda a 96.245 pontos, que encerrou com uma compra 96.345 pontos, resultando uma perda de 100 pontos, ou seja R$ 20,00 reais.
  2. Operação de venda a 96.365 pontos, que encerrou com uma compra a 96.265 pontos, resultando um ganho de 100 pontos, ou seja R$ 20,00 reais.
  3. Operação de compra a 96.220 pontos, que encerro com uma venda a 96.240 pontos, resultando um ganho de 20 pontos, ou seja R$ 4,00 reais.

Outro ponto que favorece a participação de investidores na Bovespa é o avanço da tecnologia. Quem lembra daquela cena clássica da bolsa de valores? Aquele monte de pessoas gritando, com dois ou até mais telefones na orelha, fazendo operações de compra e venda. Então, graças ao avanço tecnológico, especialmente da internet, essa cena não é mais realidade. Um artigo da corretora Toro Radar, publicado no portal ADVFN News e denominado “Investir na Bolsa de Valores ficou mais simples com a tecnologia”,  ilustra bem esse cenário.

Dentre os avanços destaca-se o processo de abertura de uma conta numa corretora de valores, que é a principal ponte entre a bolsa e o investidor. Nos dias de hoje a abertura da conta pode ser feita em algumas horas. Desde que a documentação atenda aos requisitos mínimos e o primeiro depósito seja efetuado, o investidor já pode ter acesso ao vasto mundo da BM&F Bovespa.

A diversidade de plataformas home broker que existem no mercado para atender necessidades específicas do investidor, aliadas a velocidade da internet, podem ser consideradas uma verdadeira revolução no acesso à bolsa de valores. A plataforma home broker dá a possibilidade de qualquer investidor executar operações de compra e de venda em tempo real, através de um computador ou até mesmo de um smartphone conectado à internet, garantindo agilidade, autonomia, facilidade, acessibilidade e baixo custo.

Outra característica muito interessante destas plataformas é a possibilidade de conectar o investidor ao ambiente de negócios da Bovespa por uma conta simulada. Isto é facilmente configurável via corretora. Essa possibilidade garante que o usuário estude e teste com dados reais suas estratégias, sem haver ganhos e principalmente perdas. Desta forma o investidor inexperiente pode treinar à exaustão e consolidar sua confiança antes de operar no mercado real.

Por fim o aumento importante de profissionais de dedicação exclusiva à bolsa de valores e por consequência o aumento de conteúdo sobre o mercado financeiro, favorece a busca de informações relativas a este universo. Alguns destes profissionais abrem salas virtuais no YouTube para dar dicas em tempo real sobre possíveis operações, além de promover palestras virtuais facilmente acessíveis via Internet. Além da vastidão de cursos gratuitos e pagos específicos sobre vários temas. Conforme o investidor vai evoluindo no seu entendimento do mercado financeiro, abrem-se diversas possibilidades diferentes.

Através deste texto tentei demonstrar que é possível, com modestos recursos, dar os primeiros passos no universo do mercado financeiro, fazendo um contraponto ao preconceito que este tema é uma exclusividade de pessoas ricas. É claro que uma vez disposto a isso, é preciso ter em mente que o aprendizado é longo e que exigirá uma série de testes. Eu ainda estou neste processo, e, se serei bem-sucedido ou não, somente o tempo e a minha dedicação serão capazes de determinar.

*GUNTHER, Max. Os Axiomas de Zurique.

Por Marcus Feltrin

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